O dia...

22-12-2011 13:02
 
O dia acordou rabugento. Espreguiçou-se demoradamente e encolheu a motivação que lhe crescia na madrugada. Quis permanecer na penumbra da noite, onde adormecia a inquietude de enfrentar o mundo. Uma comichão tirou-lhe o sossego, como uma alergia viciada que surge do nada. O dia coçou-se, procurando uma sombra onde pudesse esconder a vermelhidão que o denunciava à luz do sol. As sombras afastavam-se dele, fugiam a passos largos, quiçá com receio de serem tocadas, queimadas. Ficavam assim, numa correria que, aos nossos olhos, passa invisível como um caracol a atravessar a estrada. Aproximava-se o seu fim e o dia já ia cansado de tentar alcançar uma sombra que o abrigasse. Ficou abrasado, meio dormente e acabou por cair para lá do horizonte, onde se escondeu do mundo e se esqueceu que o amanhã é um mártir e que a correria irá recomeçar uma e outra vez.

 

Elsa Azevedo

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Notícias

03-07-2011 11:06

Vento...

  O vento desliza nos vidros de uma janela fechada Bate, ao de leve, esperando conseguir uma entrada Aguarda, paciente, que o vidro se torne ausente Percorre-o com carícias fingidas de quem mente.    Sinto-me como o vento que aguarda sem se cansar Que uma janela se abra e talvez me...
16-06-2011 13:30

Procuro...

  Uma voz quente que me sussurre ao ouvido Palavras doces, ternas, verdades apaixonadas Um abraço forte, aconchegante, querido Que me envolva nas eternas madrugadas.   Sem encontrar, insisto nesta busca impossível Certezas vãs que definham num mundo insensível Procuro, sem saber se um dia...
15-06-2011 13:33

Penso...

  Penso...   Que a vida é um vulto que nos envolve a visão Repleta de ideais fúteis que nos cegam a razão Que nos guiam por caminhos ausentes de verdade No qual perdemos a noção da nossa realidade.   Penso...   Que as pessoas já não olham para o lado Como se ajudar alguém...
12-06-2011 22:56

Perda...

   Vazio doloroso que se aproxima sem avisar Ausência que dói e não se consegue controlar Saudade, tristeza, vontade de voltar no tempo Inverter esta perda que surge num momento.   Não te vejo quando olho para a rua deserta Não encontro o teu jeito engraçado de brincar A inexistência...

 

   Imagens por: Pedro Pinheiro

 

 

 

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